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INTOXICAÇÃO POR CIANETO

Hidroxocobalamina no tratamento.

Fisiopatologia
O cianeto de hidrogênio (HCN) é um gás incolor, miscível em água, solúvel em etanol, menos denso que o ar e se dispersa rapidamente com odor característico de amêndoas amargas (embora a ausência desse odor não exclua a presença de cianeto). Sua absorção ocorre rapidamente por via inalatória e oral. Uma vez absorvido, é rapidamente distribuído a todos os tecidos, ligando-se às proteínas plasmáticas a taxa de 60% e meia-vida de 20 a 60 minutos. Trata-se de um potente asfixiante químico, produzindo hipóxia grave devido à inibição da citocromo oxidase, o que impede a utilização do oxigênio pelos tecidos, lesando os órgãos mais sensíveis à ausência de oxigênio como o coração e o cérebro. Isso, porque liga-se reversivelmente ao íon férrico (Fe3+) do sistema citocromo oxidase mitocondrial. Manifestações clínicas. A inalação de cianeto produz sintomas em poucos segundos e pode levar a morte por parada respiratória em poucos minutos. Os sinais e sintomas de casos leves incluem cefaleia, náuseas, vertigem, ansiedade, estado mental alterado, taquipnéia e hipertensão. Casos moderados podem incorrer com dispneia, bradicardia, hipotensão e arritmia e, nos casos graves, as manifestações incluem coma profundo, pupilas fixas, não reativas, colapso cardiovascular, depressão respiratória, isquemia do miocárdio, arritmias cardíacas e edema pulmonar. A cianose é muitas vezes um sinal tardio e pode não ocorrer, mesmo em pacientes com colapso cardiovascular. Virtualmente, todos os casos com intoxicação grave morrem imediatamente na ausência de um tratamento específico Por ingestão, os primeiros sintomas incluem dor de cabeça, náuseas, tonturas e ansiedade, seguida por confusão, sonolência, taquicardia, palpitações e taquipnéia. Em casos de toxicidade moderada pode haver episódios de perda de consciência, convulsões, vômitos e hipotensão. Na intoxicação grave, o quadro torna-se semelhante à intoxicação por inalação.

.Tratamento recomendado.
Nos casos de suspeita ou intoxicação confirmada, além das medidas de suporte clínico, como suplementação de oxigênio e medidas de manutenção cardiovascular, a terapia com antídotos deve ser realizada. Devido à rápida ação do cianeto, o pronto atendimento e a precocidade na administração do antídoto são essenciais para diminuir as chances de morte do paciente, não devendo o tratamento ser retardado pela espera de resultados de exames laboratoriais .
Dentre os antídotos disponíveis (hidroxocobalamina, nitrito de amila, nitrito de sódio, tiossulfato de sódio, 4-dimetilaminofenol e edetato de dicobalto), a hidroxocobalamina é apontada como o antídoto de primeira linha em variadas diretrizes clínicas e sínteses de evidências. Ela substitui seu grupamento hidroxila pelo cianeto livre no plasma formando a cianocobalamina, que é excretada na urina. Quando administrada a pacientes intoxicados por cianeto, melhora rapidamente a frequência cardíaca e a pressão sanguínea sistólica e reduz a acidemia, sendo o prognóstico melhor quando a hidroxocobalamina é administrada precocemente, antes da parada cardiopulmonar.
Quando comparado à terapia com outros agentes, a hidroxocobalamina apresenta como principal vantagem a não interferência na oxigenação tecidual, efeito observado com os antídotos a base de nitritos e 4-dimetilaminofenol (4-DMAP), que podem induzir a metemoglobinemia. Nos acidentes com inalação de fumaça, onde há intoxicação mista (monóxido de carbono e cianeto), o uso desses agentes pode ser prejudicial ou mesmo letal pela concorrente carboximoglobinemia ou injúria pulmonar. Apesar do tiossulfato de sódio poder ser administrado individualmente, há suspeita de perda da efetividade, além de apresentar início lento da ação, sendo a melhor opção considerá-lo apenas como uma terapia coadjuvante, em conjunto com a hidroxocobalamina, por exemplo, podendo apresentar um efeito sinérgico na de toxificação do cianeto. Todavia, como os dois produtos são incompatíveis em solução, devem ser administrados em acessos venosos isolados.

A TECNOLOGIA
Tipo: Medicamento
Princípio Ativo: hidroxocobalamina
Nome comercial: Cyanokit®
Fabricante: Merck Santé S.A.
Indicação aprovada na Anvisa: sem registro ativo
Indicação proposta pelo demandante: tratamento de paciente com suspeita ou confirmação de intoxicação por cianeto
Apresentação: Parenteral. Cada Kit contém 1 frasco de 5g de hidroxocobalamina liofilizada com equipamento para transferência. O frasco possui uma marca para calibração e
deve ser reconstituído com 200mL de soro fisiológico estéril a 0,9%, com movimento de rotação delicado. Caso soro fisiológico não esteja disponível, pode-se usar solução de ringer –
lactato ou glicose a 5%

Fonte: Ministério da Saúde.

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