As técnicas de RCP na gestante e cesariana perimortem e posmortem são discutidas e encorajadas em vários cursos e protocolos de atendimento de emergências obstétricas.
A revisão sobre o tema mostra que, após cinco
minutos de ressuscitação cardiopulmonar sem resposta, a cesariana perimortem deve ser iniciada. A RCP não deve ser interrompida, a fim de se manter o fluxo circulatório, o que melhora o prognóstico tanto materno quanto neonatal. O objetivo principal doprocedimento é aumentar a probabilidade de sobrevivência materna, já que a retirada do feto remove a compressão aortocava, aumentando em 60% a 80% o débito cardíaco materno. Como objetivo secundá-rio, as chances de sobrevivência neonatal também aumentam. A RCP deve ser mantida ,inclusive após o término do procedimento.

A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) adequada é muito importante para reduzir a morbimortalidade materno fetal e para obter maior chance de êxito é importante que a equipe de reanimação esteja sincronizada e tenha o conhecimento de qual a melhor conduta seguir.

Existe uma grande lacuna de conhecimento científico em relação ao manejo da parada cardiorrespiratória (PCR) materna. A impossibilidade de realização de estudos de alta qualidade neste grupo de pacientes torna as evidências e recomendações fracas e sujeitas a viés. Desta forma, atualmente a melhor evidência disponível é baseada em estudos observacionais e princípios fisiológicos.
Durante a PCR, as alterações fisiológicas da gravidez, somadas à tendência à hipóxia e a compressão aorto-cava pelo útero em pacientes na segunda metade da gestação tornam a ressuscitação mais difícil. O útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior, dificultando o retorno venoso e reduzindo assim o volume sistólico e o débito cardíaco. Em geral, a compressão da veia cava e da aorta abdominal ocorre em uma fase mais tardia da gestação (aproximadamente 20 semanas de idade gestacional), época em que o fundo uterino está na altura ou acima da cicatriz umbilical. Além disto, o aumento do volume abdominal também reduz a complacência da caixa torácica e aumenta a força necessária para uma adequada compressão torácica durante as manobras de RCP.

Os melhores resultados para a mãe e o feto poderão ser alcançados se a reanimação materna for bem sucedida, sendo a oferta de RCP de alta qualidade e o alívio da compressão aorto-cava as prioridades. Desta forma o deslocamento uterino manual para a esquerda é a manobra mais recomendada e pode ser realizada com a técnica de duas mãos (assistente do lado esquerdo) ou com a de uma mão. Nesta última o assistente se posiciona a direita da paciente e empurra o útero para a esquerda. Foi observado que a reanimação com a paciente mantida em inclinação lateral esquerda resultava em diminuição da qualidade da RCP quando comparadas às compressões realizadas em posição supina e não deve mais ser mais realizada.

Fonte: Blogue do intensivista / Rev Med Minas Gerais

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